quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Barbie, you're beautiful. You make me feel.

Todos já ouvimos falar de Barbie em algum momento da vida. Bem ou mal. É uma boneca de longa data que se tornou elemento crucial para diversas discussões culturais. A influência de Barbie no imaginário de inúmeras crianças se tornou aos poucos inevitável, assim como a sua produção em série cada vez mais expressiva. A moderna problematização nas brincadeiras com a Barbie apareceu desde o instante em que a padronização do tipo de corpo e os comportamentos construídos para a boneca enquanto personagem passaram a ser questões reconhecidas como preconceituosas e sexistas. Parece que estamos no meio de uma queda de braço, em que os apaixonados defendem a Barbie como a estrela do mundo e os haters colocam a culpa de toda baixa autoestima infantil no fato de que o maior número de bonecas da playline são loiras e magras. No entanto, ambos os lados poderiam parar um instante para refletir sobre o fato de que ela não precisa ser de fato uma estrela de nada, menos ainda a causadora de projeções infantis infelizes por conta da cor de um cabelo ou dos centímetros de uma cintura. O mais simples desejo que havia por trás da criação da boneca era de que ela pudesse ser qualquer um/uma de nós. A ideia que fez de Barbie um sucesso estrondoso desde o início foi a possibilidade de masturbar a imaginação. É isso mesmo que você leu, tudo que existe de fascinante no mundo barbístico pode estar advindo do gozo incompleto que existe em trocar a boneca de roupas, jogando com papéis sociais, fazendo de conta que ela pode ser quem quer que seja ou qualquer coisa que a vossa imaginação possa elaborar. Incompleto porque o prazer da brincadeira parece não querer terminar. Então, ela poderia ser uma estrela se você quiser, um ícone de elegância reconhecido por talentos inatos. Talvez não, ela poderia ser uma dona-de-casa qualquer, sem o menor glamour, que precisa de chegar a tempo do supermercado para poder atender as necessidades do marido. A nossa Barbie Melodramática tem um quê de Lucy do seriado I Love Lucy, de Desperate Housewives, de Beleza Americana, de todos estes folhetins americanos quintessenciais em que ninguém é de fato o que parece ser. Uma mulher dedicada ao lar pode esconder uma vida pessoal secreta, desejos emancipatórios, pensamentos revolucionários ali, bem ao lado de sua caçarola que prepara um molho bechamel supimpa. Para relembrar os valores que estavam ali quando tudo começou, aceite este convite de vir comigo voltar ao passado para conhecer a origem desta Barbie que se provou ao longo de todos estes anos como uma boneca para lá de melodramática, caindo e levantando, namorando, terminando namoro, fazendo amigos, cortando o cabelo, deixando crescer, armando, alisando, aventurando-se pelas possibilidades de beleza que as décadas de 60, 70, 80, 90 e os anos 2000 lhe permitiram. Uma maneira brilhante de começar a jornada pode ser assistindo a um micro-documentário que vai precisar de apenas mais dois minutinhos do seu tempo para conhecer a idealizadora de Barbie.

Ladies and Gentlemen, Mrs. Ruth Handler 


Ruth Handler, a mulher pioneira por trás de Barbie.
[1916 ~ 2002]

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