2015.
Com a Barbie antenada que existe dentro de mim, não deixo passar em branco esta data que por si só já faz um brinde à beleza negra...
Mas não para por aí: é preciso lembrar que a consciência negra das futuras gerações depende principalmente desta fase delicada que é a educação infantil, as primeiras descobertas, as brincadeiras e vivências em sociedade.
Entre esta e outras questões, mora a importância de dar visibilidade às diferentes etnias e possibilitar às crianças de se reconhecer nestes brinquedos que servem como ferramentas de construção social e estimulantes da imaginação.
Antes de nos aventurarmos pela boneca, vamos entender o porquê da importância desta data no Brasil. E aí, prontos para entrar neste túnel do tempo da nossa história? Apertem os cintos.
Em 20 de Novembro de 1695, Zumbi dos Palmares morreu defendendo a liberdade dos escravos. Apesar de ter sido capturado quando criança, criado por padres e moldado para viver numa sociedade branca e racista, Zumbi resistiu e lutou até o último momento de sua vida contra à escravidão. Sua garra e perseverança é hoje lembrada pela lei nº12.519/2011 que escolheu eternizar o dia da sua morte como símbolo de reflexão sobre a inserção do negro e o seu reconhecimento na sociedade brasileira.
Com a importância desta mensagem na cabeça, vamos abrir o baú de Ruth Handler e revirar as primeiras amigas da Barbie pautadas nas figuras, famosas ou não, da mulher negra dos anos 60 e 70, antes de chegarmos à primeira revolução do universo da boneca que foi utilizar o molde Steffie para o lançamento da que viria a ser a primeira Barbie negra – Black Barbie, 1979/80 – vide imagem acima. Confira também clicando aqui as informações da Reprodução lançada em 2009, quando completou seus 30 anos.
A primeira boneca afro-americana na estatura de Barbie lançada pela Mattel foi a Talking Christie, de 1968. A ilustração abaixo mostra como ficava disposta na sua caixa amarela, vestindo um maiô verde com babados e uma calçinha pink. Seus cabelos eram curtos, o estilo da época – as mulheres usavam muito os cabelos curtos com penteados minuciosos, um padrão de beleza importado das mulheres europeias na década anterior. Nota-se que com o tempo seus cabelos poderiam oxidar e avermelhar.
BLACK FRANCIE! – E sua cintura que gira Twist 'n' Turn, no auge da era MOD, está representada na imagem acima com sua caixa verde original. Era conhecida como a prima "moderna" da Barbie, mas a versão afro-americana, especificamente, não era produzida em grandes quantidades, fator que encarece hoje seus valores e a torna mais rara que as outras. Francie foi introduzida como uma estratégia para testar a aceitação do público de Barbie por um visual mais "cool" e "ousado", numa época em que a Barbie desfilava em vestidos de gala sofisticados e belas costuras produzidas no Japão.
Com a popularização da TV, os programas televisivos multiplicaram ídolos e celebridades. Com o passar do ano e o crescente acesso à vida pessoal de artistas, agora não se via eles apenas em revistas de coluna social, mas também com a ajudinha de um amigo – naquele visor quadradão, em todos os sentidos, diante do sofá nas salas de lares americanos. Caso do seriado Julia que foi ao ar de 1968 a 1972 e contava a história de uma mãe solteira que cuida do seu lar e trabalha como enfermeira. A personagem icônica na televisão ganhou um boneca formada de um corpo Barbie T.N.T. e a cabeça de Christie, leia mais. Há uma reprodução fiel que foi lançada em 2009, clique aqui para conferir mais informações.
É importante mencionar o contexto vivido pelos EUA – as transformações decorrentes de exigências por parte do movimento negro. Conflitos constantes entre brancos e negros haviam criado naquele ponto uma situação que precisava ser questionada. Os privilégios que detinham uma população privilegiada começavam a perder força e a necessidade de inclusão social para a população negra era algo cada vez mais imprescindível.
Sendo o universo da Barbie um lugar de criação que representa a sociedade na qual ela se insere, a necessidade de se pronunciar quanto à inclusão permitiu o nascimento de Christie e de Francie. Fato histórico, porém apenas um embrião da transformação que vivemos hoje, no que se trata de dar voz e visibilidade às diversidade étnicas. É fundamental mencionar que elas eram parentes ou apenas amigas da Barbie e, isto é, não tínhamos ainda uma Barbie que representasse em si as crianças negras.
A primeira Barbie negra surgiu na era Disco, disponibilizada para o mercado na transição de 1979 a 1980.
Era ela – a Black Barbie ! Tinha o cabelo completamente crespo, pela primeira vez. Vestia um maiô vermelho com mangas compridas e detalhes em dourado, mas o toque final era a saia que acinturava seu belo corpo e dava ao look final a opção de ser um maiô ou um vestido. Na caixa, incluía ainda um pente, as sandálias, um anel e um par de brincos. E o slogan de publicidade dizia:
Ela é negra ! Ela é belíssima ! Ela é dinamite!
Informações históricas como estas podem ser encontradas no blog Chocolate Doll – African American Barbie Information. Um site excelente para quem gostaria de pesquisar identificação e informações mais detalhadas sobre diversas dolls negras que foram lançadas desde Christie, Francie e Julia, passando pela Black Barbie, até as linhas atuais. Além disso, a plataforma ainda possui pesquisa de preços e um espaço dedicado para a diversidade que temos hoje de moldes criados especialmente para representar as mulheres afro-americanas. Agradeço imensamente a você que leu o post até o final ! ;-)
Diversidade ética e cultural no mundo barbíestico. Representações lindas do mundo feminino incentivam crianças a criar e a estimular a imaginação.
Mas não para por aí: é preciso lembrar que a consciência negra das futuras gerações depende principalmente desta fase delicada que é a educação infantil, as primeiras descobertas, as brincadeiras e vivências em sociedade.
Entre esta e outras questões, mora a importância de dar visibilidade às diferentes etnias e possibilitar às crianças de se reconhecer nestes brinquedos que servem como ferramentas de construção social e estimulantes da imaginação.
Antes de nos aventurarmos pela boneca, vamos entender o porquê da importância desta data no Brasil. E aí, prontos para entrar neste túnel do tempo da nossa história? Apertem os cintos.
Em 20 de Novembro de 1695, Zumbi dos Palmares morreu defendendo a liberdade dos escravos. Apesar de ter sido capturado quando criança, criado por padres e moldado para viver numa sociedade branca e racista, Zumbi resistiu e lutou até o último momento de sua vida contra à escravidão. Sua garra e perseverança é hoje lembrada pela lei nº12.519/2011 que escolheu eternizar o dia da sua morte como símbolo de reflexão sobre a inserção do negro e o seu reconhecimento na sociedade brasileira.
Com a importância desta mensagem na cabeça, vamos abrir o baú de Ruth Handler e revirar as primeiras amigas da Barbie pautadas nas figuras, famosas ou não, da mulher negra dos anos 60 e 70, antes de chegarmos à primeira revolução do universo da boneca que foi utilizar o molde Steffie para o lançamento da que viria a ser a primeira Barbie negra – Black Barbie, 1979/80 – vide imagem acima. Confira também clicando aqui as informações da Reprodução lançada em 2009, quando completou seus 30 anos.
A primeira boneca afro-americana na estatura de Barbie lançada pela Mattel foi a Talking Christie, de 1968. A ilustração abaixo mostra como ficava disposta na sua caixa amarela, vestindo um maiô verde com babados e uma calçinha pink. Seus cabelos eram curtos, o estilo da época – as mulheres usavam muito os cabelos curtos com penteados minuciosos, um padrão de beleza importado das mulheres europeias na década anterior. Nota-se que com o tempo seus cabelos poderiam oxidar e avermelhar.
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| Talking Christie, 1968 |
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| Black Francie, 1967/68 |
BLACK FRANCIE! – E sua cintura que gira Twist 'n' Turn, no auge da era MOD, está representada na imagem acima com sua caixa verde original. Era conhecida como a prima "moderna" da Barbie, mas a versão afro-americana, especificamente, não era produzida em grandes quantidades, fator que encarece hoje seus valores e a torna mais rara que as outras. Francie foi introduzida como uma estratégia para testar a aceitação do público de Barbie por um visual mais "cool" e "ousado", numa época em que a Barbie desfilava em vestidos de gala sofisticados e belas costuras produzidas no Japão.
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| Em 1969, Diahann Carroll para publicidade de sua doll: Julia. |
Com a popularização da TV, os programas televisivos multiplicaram ídolos e celebridades. Com o passar do ano e o crescente acesso à vida pessoal de artistas, agora não se via eles apenas em revistas de coluna social, mas também com a ajudinha de um amigo – naquele visor quadradão, em todos os sentidos, diante do sofá nas salas de lares americanos. Caso do seriado Julia que foi ao ar de 1968 a 1972 e contava a história de uma mãe solteira que cuida do seu lar e trabalha como enfermeira. A personagem icônica na televisão ganhou um boneca formada de um corpo Barbie T.N.T. e a cabeça de Christie, leia mais. Há uma reprodução fiel que foi lançada em 2009, clique aqui para conferir mais informações.
É importante mencionar o contexto vivido pelos EUA – as transformações decorrentes de exigências por parte do movimento negro. Conflitos constantes entre brancos e negros haviam criado naquele ponto uma situação que precisava ser questionada. Os privilégios que detinham uma população privilegiada começavam a perder força e a necessidade de inclusão social para a população negra era algo cada vez mais imprescindível.
Sendo o universo da Barbie um lugar de criação que representa a sociedade na qual ela se insere, a necessidade de se pronunciar quanto à inclusão permitiu o nascimento de Christie e de Francie. Fato histórico, porém apenas um embrião da transformação que vivemos hoje, no que se trata de dar voz e visibilidade às diversidade étnicas. É fundamental mencionar que elas eram parentes ou apenas amigas da Barbie e, isto é, não tínhamos ainda uma Barbie que representasse em si as crianças negras.
A primeira Barbie negra surgiu na era Disco, disponibilizada para o mercado na transição de 1979 a 1980.
Era ela – a Black Barbie ! Tinha o cabelo completamente crespo, pela primeira vez. Vestia um maiô vermelho com mangas compridas e detalhes em dourado, mas o toque final era a saia que acinturava seu belo corpo e dava ao look final a opção de ser um maiô ou um vestido. Na caixa, incluía ainda um pente, as sandálias, um anel e um par de brincos. E o slogan de publicidade dizia:
Ela é negra ! Ela é belíssima ! Ela é dinamite!
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| Black Barbie, 1979/80 |
Informações históricas como estas podem ser encontradas no blog Chocolate Doll – African American Barbie Information. Um site excelente para quem gostaria de pesquisar identificação e informações mais detalhadas sobre diversas dolls negras que foram lançadas desde Christie, Francie e Julia, passando pela Black Barbie, até as linhas atuais. Além disso, a plataforma ainda possui pesquisa de preços e um espaço dedicado para a diversidade que temos hoje de moldes criados especialmente para representar as mulheres afro-americanas. Agradeço imensamente a você que leu o post até o final ! ;-)
Diversidade ética e cultural no mundo barbíestico. Representações lindas do mundo feminino incentivam crianças a criar e a estimular a imaginação.
Dê asas à imaginação das suas crianças
E beijocas da Brígida !






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